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  • Danbury Trashers, o time que tinha ligação com a máfia

    Danbury Trashers, o time que tinha ligação com a máfia

    Recentemente a Netflix lançou mais um episódio da série de documentários “Untold”. Nomeado como “Crimes e Infrações”, o novo episódio conta a história da criação, ascensão e queda do Danbury Trashers, da United Hockey League (UHL). O time nasceu inesperadamente em 2004 e deu o que falar durante as suas duas temporadas na liga. 

    Conhecido pela péssima fama de brigões no gelo, os Trashers duas boas temporadas, até chegando perto de conquistar a Colonial Cup. No entanto, por assuntos externos ao esporte, o time viu seu fim precoce e é lembrado até hoje na cidade de Danbury, em Connecticut, EUA. 

    Sinopse 

    Imagine que você tem 17 anos de idade, nem terminou o ensino médio ainda e seu pai lhe dá um time de hockey de presente. Parece mentira, mas foi isso que aconteceu com A.J. Galante, o GM do Danbury Trashers. Quando a sua carreira como jogador de hockey terminou abruptamente, A.J. achou que nunca mais se envolveria com o esporte. Isso até seu pai, James Galante, um grande empresário do setor de eliminação de resíduos, decidir mudar o destino. Ao ver seu filho longe do sonho, James decidiu criar o próprio time e dá-lo de presente para A.J. gerenciar. 

    A partir de então, a família Galante, que já era referência na cidade devido à frota de caminhões e estilo extravagante, também seria conhecida por ser dona de um time. Entretanto, esse não era o único motivo pelo qual as pessoas conheciam James Galante. O empresário, que já tinha sido preso anteriormente, tinha envolvimento com a máfia e vinha sendo investigado pelo FBI. 

    Enquanto as autoridades norte-americanas tinham um grande esquema de investigação, James e A.J. iniciavam a criação de seu time com tudo que tinham direito. Desde o nome, até o estilo da equipe, A.J. só tinha um objetivo: fazer o Danbury Trashers receber a fama de os bad boys do hockey. Para isso ele precisava de algumas coisas, entre elas, jogadores que não tivessem nenhum escrúpulo quanto a brigarem no gelo e aceitarem propinas. Assim teve início a trajetória de brigas, suspensões e vitórias da equipe, que durou somente duas temporadas.

    Pontos fortes

    • O documentário apresenta bem todos os lados da história, tanto do time, quanto da própria UHL e das autoridades norte-americanas;
    • Apesar da pouca idade, A.J. Galante mostrava dedicação tanto em aprender a gerenciar um time quanto em desenvolver o time dentro e fora do gelo.
    • Grandes nomes do esporte fizeram parte da história da equipe, como Brent Gretzky, filho de Wayne Gretzky, que foi a primeira contratação dos Trashers.
    • Outro grande nome do hockey que fez parte da breve história foi o jogador Michael Rupp, que jogou no time por uma temporada durante o lock-out da NHL. O center, que já tinha ganhado uma Stanley Cup na época, concedeu uma breve participação no documentário;
    • Apesar da história e do estilo duvidoso, o time trouxe grande notoriedade para o esporte, para a liga e para a cidade de Danbury;
    • O documentário traz não somente entrevistas com todos os envolvidos, como entrevistas com os fãs e imagens reais do que acontecia tanto nos jogos quanto nos bastidores.
    A primeira formação do Danbury Trashers (Foto: Reprodução / danburyhattricks.com)
    A primeira formação do Danbury Trashers (Foto: Reprodução / danburyhattricks.com)

    Veredito 

    Inicialmente você acha que vai ser só mais um documentário sobre um empresário rico que não mede esforços para continuar rico. Porém, no decorrer do episódio vemos que é muito mais que isso, A.J. realmente se esforçou em fazer o time funcionar. Obviamente pelos caminhos errados e bem deturpados, já que os valores que ele seguia eram os mesmos de seu pai. Assim como os jogadores e o restante da equipe por trás dos Trashers, um ponto que incomoda bastante.

    Contudo, o que mais me chamou atenção no documentário foi ver como as pessoas se deixaram levar pelo sucesso e dinheiro. Incluindo o então comissário da UHL, Richard Brosal, que inicialmente não gostava de como o time lidava com as coisas. Porém com o tempo, foi vencido pelo cansaço e se rendeu ao charme dos Galantes. Outro ponto que me chamou muito a atenção foi a torcida fiel de Danbury, eles chegaram como quem não quer nada e nem sabiam o que estavam fazendo ali na arena. Muitos nem entendiam o esporte, o que durou muito pouco já que logo foram conquistados pelo estilo agressivo do time. Posteriormente a torcida acabou com a mesma fama ao adotar o mesmo estilo. 

    Confesso, a maneira como o time lidava com tudo me incomodou, mas principalmente a liga ser tão permissiva com tudo. Apesar de terem ocorrido suspensões das mais diversas, desde os jogadores até a equipe técnica do time, a UHL poderia ter tido um pulso mais firme em relação a tudo que acontecia dentro e fora do gelo. Ali vemos uma postura  já conhecida pelo fã do esporte nas mais diversas ligas, onde o dinheiro que manda e nada é penalizado da maneira correta. Por fim, para quem quer saber um pouco mais da história vale muito a pena assistir o episódio que é bem rápido com pouco mais de uma hora de duração. 

    Avaliação

    Notas calculadas numa escala de 0 a 5.

    Hockeynômetro: 5,0

    Estrelas: 4,5

  • O Acordo: Uma porta de entrada para o hockey

    O Acordo: Uma porta de entrada para o hockey

    Não existe um fã de romance que não tenha ouvido falar de “O Acordo”. Ou, se não conhece o livro, já viu algum TikTok sobre Off-Campus ou até mesmo algum vídeo fanmade no Twitter. O fato é: essa série atraiu muita gente para acompanhar hockey, especialmente aqui no Brasil. Venha conferir com a gente a resenha do primeiro livro do Clube do Livro NHeLas (#LeiaComNHeLas)

    Sinopse oficial: Hannah Wells finalmente encontrou alguém que a interessasse. Mas, embora seja autoconfiante em vários outros aspectos da vida, carrega nas costas uma bagagem e tanto quando o assunto é sexo e sedução. Não vai ter jeito: ela vai ter que sair da zona de conforto. Mesmo que isso signifique dar aulas particulares para o infantil, irritante e convencido capitão do time de hóquei, em troca de um encontro de mentirinha.

    Tudo o que Garrett Graham quer é se formar para poder jogar hóquei profissional. Mas suas notas cada vez mais baixas estão ameaçando arruinar tudo aquilo a que tanto se dedicou. Se ajudar uma garota linda e sarcástica a fazer ciúmes em outro cara puder garantir sua vaga no time, ele topa. Mas o que era apenas uma troca de favores entre dois opostos acaba se tornando uma amizade inesperada. Até que um beijo faz com que Hannah e Garrett precisem repensar os termos de seu acordo.

    Classificação: +18

    O fenômeno Garrett Graham 

    Os livros não são lançamentos. “O Acordo” chegou ao Brasil em 2016 e, de lá para cá, trouxe ainda mais torcedores para o esporte. Mas o que faz dessa série tão especial? Primeiramente, podemos apontar a narrativa envolvente. O cenário universitário leva o leitor para dentro da Briar University, transitando em prédios, salas de aulas, dormitórios e arenas de hockey. Em segundo lugar, temos dois protagonistas narradores que te envolvem desde o primeiro capítulo. 

    Hannah Wells é estudante de música e, como muitas garotas, começa a se interessar por um colega de turma. O problema é: não é qualquer colega de turma. Ele é Justin Kohl, estrela do time de futebol americano. E Hannah não faz ideia de como conversar com o garoto. Porém, não é típico de Hannah se interessar por alguém. Ela já teve outros relacionamentos, mas um trauma que passou na adolescência a fez questionar todos os seus interesses românticos. 

    Garrett Graham é a estrela do time de hockey. É seu primeiro ano como capitão e tudo que ele quer é conquistar o campeonato. Entretanto, justo na sua vez de cursar Ética Filosófica, a universidade troca os professores. Enquanto o antigo professor dava notas para os alunos atletas, a professora atual parecia cobrar o triplo. Garrett tirou uma nota baixa na prova e, se não recuperar, ficará de fora do seu campeonato. Ele só vê uma solução para seu dilema: convencer Hannah Wells a te dar aulas particulares.

    O relacionamento dos dois cresce de forma natural. É palpável a cumplicidade que eles criam um com o outro. A dinâmica dos dois personagens é, sem dúvidas, o ponto alto do livro. Um relacionamento saudável que raramente vemos em outros livros de romance e, talvez, o que faz “O Acordo” ser considerado o melhor livro da série pelos fãs.

    Hockey: plano de fundo?

    Mas e o hockey? Nós temos o dilema de Garrett com o time, alguns poucos jogos e o background do protagonista com seu pai ex-estrela da NHL. A autora, Elle Kennedy, fez algumas mudanças de licença poética quando se trata do esporte. A maior delas talvez seja a questão do Draft. Na realidade, jogadores universitários não podem assinar contratos profissionais enquanto alunos atletas, mesmo se forem draftados antes de entrarem na faculdade. Muitos, inclusive, desistem da graduação para irem para a NHL, enquanto outros optam por adiar seu contrato em um ou dois anos. Raros casos de atletas que concluíram os estudos antes de ir para a liga. 

    Entretanto, é inegável como que esta série influenciou no público do esporte. Em quatro anos, o número de fãs do esporte nas redes sociais triplicou. Quando perguntamos de onde as pessoas conhecem o hockey, para boa parte a resposta é Off-Campus. Em todas as redes sociais os fãs divulgam os livros, discutem quais jogadores poderiam ser os protagonistas e se interessam em conhecer cada vez mais a NHL. 

    Garrett Graham provocou um fenômeno midiático imprevisível e curioso. Você pode não gostar de romance, ter opiniões diversas sobre a história e até mesmo cobrar um pouco mais de hockey no enredo. Porém, Off-Campus se tornou uma porta de entrada que parece que não vai se fechar tão cedo. 

    Onde Encontrar

    O Acordo” e toda a série Off-Campus (Amores Imperfeitos), além do spin-off Briar U foram publicados no Brasil pela Editora Paralela. Também é possível encontrar o primeiro livro da série em inglês (“The Deal”) de graça na Amazon

    Nota

    As notas foram somadas e esta é a média da avaliação da equipe.

    Hockeynômetro: 2,5

    Estrelas: 4,5

    Confira também a playlist do iPod da Hannah que elaboramos em conjunto com as integrantes do nosso Clube:

    A leitura do próximo mês já foi definida: Pucked, da Helena Hunting. Confira nas nossas redes sociais todas as informações e venha ler com a gente! 

  • Hockey no cinema; entrevista com um roteirista

    Hockey no cinema; entrevista com um roteirista

    O cinema está repleto de grandes filmes de esporte. Alguns dos nossos favoritos, e que levam o hockey como tema principal, estão listados aqui (nota da autora: página em construção). Há histórias que nos fazem rir, que nos fazem chorar, que são tão emocionantes quanto uma partida decisiva do seu time do coração. Às vezes essas histórias se baseiam em acontecimentos reais, às vezes são completamente fruto de uma imaginação fértil. Em qualquer um dos casos, cabe ao mesmo profissional colocar essa história no papel antes que ela possa “tomar vida” em nossas telas: o roteirista.

    Conversamos com um especialista da área para entender melhor o roteiro cinematográfico no universo dos esportes – em particular, do hockey. Michel Lichand é roteirista, podcaster e atualmente reside em Los Angeles. Tem graduação em Rádio e TV pela FAAP e pós-graduação em roteiro pela University of Southern California, e já trabalhou com Disney Studios, AMC Networks, Wayfarer Studios e Lionsgate. Ele é um dos apresentadores do podcast “Fullmetal Analysts”, em que analisa o roteiro de diversas produções internacionais.

    A entrevista foi levemente editada para maior clareza.

    Qual é o apelo de um filme de esportes?

    Um filme de esportes, assim como qualquer tipo de filme, é um tipo de escapismo. Um jeito do espectador escapar de sua realidade normal e viver uma história diferente por algumas horas. Isso é a base de qualquer filme, seja ele um filme de ação da Marvel ou do James Bond, ou um drama mais íntimo tipo aqueles que ganham Oscars. A mesma coisa acontece com filmes de esporte.

    Nem todos nós seríamos bons jogadores de esporte, por exemplo, eu não sou a pessoa mais ágil do mundo e seria horrível em qualquer esporte que precise de velocidade. Mas por meio de um filme ou uma série, ou posso viver e entender a experiência de um corredor, me conectar com o corredor e me emocionar com o corredor. É por isso que os americanos adoram filmes de futebol americano, por exemplo, porque eles providenciam uma conexão ainda maior entre espectador e jogador.

    Por que o hockey não é tão popular no cinema americano?

    Por aqui, filme de esporte geralmente é sobre beisebol ou futebol americano, já que esses dois são os esportes mais populares pelo país (basquete está em terceiro lugar, mas de futebol americano para basquete o número de filmes já desce muito). Acho que o que impede o hockey de ter sucesso no cinema americano é que parte do público ainda não conhece as regras (o filme Vale Tudo, de 1977, literalmente começa com um dos personagens explicando as regras do esporte). E, como os jogadores de hockey usam uniformes que cobrem o corpo inteiro, e acabam se metendo em situações de violência, dá pra imaginar que muitos atores não estão interessados em passar a maior parte do filme usando uma máscara ou quase se machucando.

    Além disso, quando você pensa nos dois esportes populares aqui nos EUA, eles são muito fáceis de adaptar para uma estética visual cinematográfica. Você mostra uma imagem de um jogo de futebol ou beisebol e dá para ver na hora quem está ganhando, em quem o espectador deve prestar atenção etc. Já o hockey requer um pouco mais de paciência, ao menos no começo… e por aqui a regra é literalmente “tempo é dinheiro.” Muitos produtores acabam indo para outros esportes por serem mais fáceis de adaptar pro cinema. E aí o que você tem são os filmes hockey-adjacent.

    Extrato da primeira página do roteiro do filme “Vale Tudo” (1977), escrito por Nancy Dowd.
    Extrato da primeira página do roteiro do filme “Vale Tudo” (1977), escrito por Nancy Dowd.

    O que é um filme hockey-adjacent?

    É um filme que tem hockey, mas não é sobre hockey, ou seja, está adjacente a hockey. Não é pra menosprezar o filme ou a série, é simplesmente um fato que os hockey-adjacent usam o hockey pra contar uma outra história, então não são exatamente “filmes de hockey.” Pensa no “Fada do Dente”, com (Dwayne “The Rock” Johnson). O filme usa hockey na sua história, mas a história foca mais no relacionamento entre o personagem de The Rock e a família dele.

    Esse tipo de filme usa o hockey como cenário, basicamente, porque o espectador sabe alguns elementos do hockey (é violento, joga-se no gelo, usam roupas pesadas) mas não sabe o suficiente para se importar quando o filme muda de assunto e foca em outros elementos. De novo, isso não quer dizer que o filme é ruim. Mas não é um filme de hockey do mesmo jeito que “Tudo Pela Vitória” é um filme de futebol americano ou “Um Maluco no Golfe” é um filme de golfe (este último inclusive usa elementos do hockey, mas o filme em si é de golfe).

    Extrato do roteiro do filme “Um Maluco no Golfe” (1996), escrito por Tim Herlihy, Adam Sandler e Dean Lorey.
    Extrato do roteiro do filme “Um Maluco no Golfe” (1996), escrito por Tim Herlihy, Adam Sandler e Dean Lorey.

    A gente não vê roteiristas especializados em filmes de esporte. Por que isso acontece? E faria sentido ter um profissional do tipo na indústria?

    Porque “filme de esporte” não é um gênero cinematográfico. Por exemplo, todo mundo já viu o filme em que um técnico revolucionário transforma um time de perdedores em vencedores ou algo assim. É tão comum, que virou clichê em Hollywood. Mas esse tipo de história não se aplica só a um esporte. Existe esse tipo de filme com futebol, baseball, até hockey. Isso mostra que filmes de esporte são um tipo de narrativa e não um gênero, como comédia, terror, drama. Sem contar que existem filmes de esporte que são comédia, filmes de esporte que são terror, etc.. Não faria sentido alguém se especializar assim, porque seria que nem eu me especializar em “filmes sobre crianças que encontram um mundo mágico” ou “filmes sobre pessoas que trocam de corpo.”

    Como uma partida de hockey é escrita para o cinema?

    A primeira coisa que você aprende sobre roteiro é que você tem que cativar a imaginação do leitor. Muita gente lê as primeiras dez páginas de um roteiro e se não gostar, joga o resto do roteiro fora. Você tem que usar o formato do roteiro para transmitir a ação e a intensidade do momento pro leitor. E isso serve pra qualquer tipo de cena, seja uma partida de um esporte, um jantar de família ou uma perseguição em alta velocidade. Então uma partida de hockey não pode ser uma transcrição – “ele atira, ele defende, ele atira,” etc. –, tem que ser algo que capture a emoção do momento.

    Um exemplo que eu gosto é do filme “Os Brutamontes.” Para quem não viu, é um filme que enfatiza o lado violento do hockey – o personagem principal literalmente é contratado para ser um enforcer de um time. Então os roteiristas, nesse caso Jay Baruchel e Evan Goldberg, usaram de tudo para fazer o leitor entender o quão violenta a situação é.

    Extrato do roteiro do filme “Os Brutamontes” (2011), escrito por Jay Baruchel e Evan Goldberg
    Extrato do roteiro do filme “Os Brutamontes” (2011), escrito por Jay Baruchel e Evan Goldberg.

    Se pegarmos o roteiro de “Os Brutamontes” como exemplo, a onomatopeia “CRRRNCH” enfatiza o quão forte o ataque foi. Em vez de só falar “ele cai”, eles descreveram o capacete e as luvas voando para fora e caindo no gelo. Eles basicamente estão fazendo uma narração para rádio. O melhor de tudo é que você entende tudo mesmo se não souber as regras do jogo. Como o filme é sobre violência, o foco fica na violência.

    Um outro exemplo que eu gosto é do filme “Desafio no Gelo”, escrito por Eric Guggenheim. Esse é baseado numa história real, então o foco do filme é mais no drama.

    Extrato do roteiro do filme “Desafio no Gelo” (2004), escrito por Eric Guggenheim
    Extrato do roteiro do filme “Desafio no Gelo” (2004), escrito por Eric Guggenheim.

    Enquanto a história mais violenta exagera nos adjetivos e na onomatopeia, a versão mais dramática é simples e mais direto ao ponto. Na segunda frase, eles usam adjetivos rápidos para demonstrar o quão rápido os jogadores são (sharp, quick). Dá até para ver o filme na cabeça, e como o roteiro está descrevendo isso de um jeito calmo e controlado, você capta a emoção da cena perfeitamente.

    Extrato do roteiro do filme “Desafio no Gelo” (2004), escrito por Eric Guggenheim

    Outro exemplo de “Desafio” é o momento mais emocionante do filme, a jogada final, e o roteirista está tirando todo o drama possível da cena. E note que quando algo importante e incrível acontece, ele escreve tudo com letras maiúsculas, ou sublinha um adjetivo. Esse é o tipo de roteiro que quando você lê, não tem como não celebrar junto.

    Qual o futuro para os filmes de hockey?

    Infelizmente, assim como quase todos os filmes sobre esportes, esse tipo de história está, pelo momento, “na geladeira”, já que é difícil filmar um filme de esporte durante uma pandemia. Mas assim que as coisas melhorarem, acho que vamos ver uma nova onda de filmes sobre hockey, em vez de filmes que apenas usam hockey como cenário. Os americanos começaram a apreciar mais os esportes durante a pandemia, e serviços de streaming como Netflix estão fazendo dez filmes sobre cada esporte, tanto que até a própria Disney fez um reboot de “Nos Somos os Campeões” para o Disney+. O problema é que esse reboot continua pintando o hockey como um esporte ou para crianças ou de menos importância quando comparado ao beisebol e ao futebol americano.

    Que filme de hockey você escreveria?

    Eu com certeza tentaria fazer algo com o hockey feminino, especialmente porque já tá na hora! Mulheres jogando hockey e uma ideia tão simples e tão óbvia que até os Simpsons fizeram uma história em 1994 sobre a a Lisa jogando hockey (apesar que, assim como várias outras histórias, o episódio acaba sendo mais sobre a rivalidade entre Lisa e Bart do que sobre o jogo de hockey mesmo). Já tá na hora, né?

  • “Virando o Jogo dos Campeões” chega ao Disney+ com um misto de nostalgia e inovação

    “Virando o Jogo dos Campeões” chega ao Disney+ com um misto de nostalgia e inovação

    Da última vez que Gordon Bombay (Emilio Estevez) comandou um time de hockey, essa redatora que vos fala ainda não tinha um mês de idade. Como o próprio personagem disse, “it was a life time ago.” Porém, o Disney+ chegou para trazer de volta nossos queridos Mighty Ducks e, é claro, o técnico Bombay. O primeiro episódio do novo seriado “Virando o jogo dos Campeões” estreou hoje (26) no serviço de streaming e é claro que não íamos deixar de trazer para vocês as nossas primeiras impressões.  

    Muita coisa aconteceu dos anos 1990 para cá. O hockey mudou, o entretenimento mudou, até mesmo a forma de exibir seriados mudou. Mas “Virando o jogo dos Campeões” busca no primeiro filme da trilogia o conceito para a serie: Gordon Bombay mais uma vez odeia hockey por ter “fracassado” no esporte (quem assistiu ao segundo filme sabe que ele tentou a carreira profissional, porém por uma lesão precisou se aposentar antes da hora). Agora, ele é dono de um rinque de patinação que está caindo aos pedaços e precisa de fundos para continuar funcionando. 

    Mas, diferentemente da nossa querida trilogia original, a série não trás Bombay como protagonista, e sim Alex (Lauren Graham) e Evan Morrow (Brady Noon). Alex é mãe solteira, faz tudo o que pode e o que não pode para criar Evan, que, aos 12 anos, é cortado do time de hockey Mighty Ducks (sim, o mesmo Mighty Ducks de Bombay, porém agora eles são a estrela do campeonato junior). Alex não aceita essa decisão e propõe ao filho que eles criem um time de hockey para que ele possa jogar. Ou seja, mais uma vez temos um time improvável que busca se encontrar e, possivelmente, surpreender.

    Quem são os novos “mighty ducks”?

    Sim, colocaremos “mighty ducks” entre aspas uma vez que, a princípio, estes personagens não jogarão com os Ducks da série. É um novo time, nomeado ao final do episódio de “Nem Tente” (ou Don’t Bothers em inglês), composto por crianças que buscam no hockey algum tipo de conforto. É um conjunto desajustado de garotos e garotas pré-adolescentes que buscam acolhimento num grupo e no esporte.

    Evan Morrow: O nosso protagonista tem 12 anos, jogou por diversos anos nos Mighty Ducks mas é cortado da equipe por ser baixo demais, lento demais e, possivelmente, por sua mãe, Alex Morrow, não ter o status econômico que o time exige.  

    Nick (Maxell Simkins): Nick ama hockey, mas nunca teve jeito para o esporte. Então ele tem um poadcast sobre o esporte, no qual narra as principais competições dos Ducks. Porém, quando Alex propõe a Evan que eles comecem um novo time com o interesse em jogar e não só ganhar, Nick é o primeiro a aceitar o desafio. 

    Sam (De’Jon Watts): Sam gosta de desafios e não tem medo de se machucar. Evan o desafia a entrar para o time. 

    Koob (Luke Islam): O nosso goleiro é especialista em video game. Nunca deixou um puck passar por ele no jogo online, mas também nunca teve jeito para esportes. Evan e Nick descobrem que ele tem excelente reflexos, habilidade para defesas, e o convidam para ser goleiro dessa nova equipe. 

    Logan (Kiefer O’Reiley): O “mini Nylander” (apelido carinhoso que eu dei para ele), acabou de se mudar de Toronto para a mesma rua que Evan e Nick. O garoto chega vestindo uma jersey dos Leafs, com um patins de primeira linha da Bauer e exibindo a postura de um galã infantil. O problema? Ele é péssimo em hockey. 

    Lauren Gibby (Bella Higginbotham): Ainda não sabemos muito sobre a Lauren, mas ela é uma das garotas do time que aceita o convite de Evan por ter “uma raiva anterior que precisa de uma saída”.

    Maya (Taegen Burns): Também não sabemos muito sobre Maya, seu nome nem sequer aparece no primeiro episódio. Ela era uma das garotas populares da escola, mas decide que entende Evan e aceita participar do time.

    Sofi (Swayam Bhatia): Não sabemos ainda como a Sofi deixa os Ducks, mas ela é uma das amigas mais próximas de Evan. Seus pais colocam toda uma expectativa em cima dela e, apesar de amar hockey, a garota não parece tão entusiasmada. Ela começa a sentir o joelho e apenas Evan nota, um dos motivos que o faz convidá-la para  a nova equipe. 

    Alguns pontos em que a série se afasta dos filmes

    • Diferentemente de Charlie, protagonista infantil do primeiro filme, Evan Morrow tem uma presença maior no enredo. É responsabilidade dele formar o time e também ser responsável por essa equipe de improváveis. 
    • A série tem um tom mais leve e, ao mesmo tempo, mais comédia do que o filme. Como falei no início do texto, muita coisa mudou dos anos 1990 pra cá. Esse novo tom na produção é fundamental para que, mesmo trabalhando a nostalgia dos fãs de Mighty Ducks, trazer a história para um novo público.  
    • Pelo primeiro episódio, Gordon Bombay ainda não teve um papel central, atuando mais como um conselheiro do que técnico. Porém, sem dúvidas nosso técnico favorito vai, mais uma vez, amolecer por essas crianças que amam tanto o esporte quanto ele, mesmo que ele não admita. Emilio Estevez pode não ser mais o galã dos anos 1990, mas ainda tem uma atuação carismática e intrigante. Confesso que estou muito curiosa em saber se vão revelar o que Bombay fez para chegar onde o personagem está agora, odiando tanto o esporte que uma vez amou. 

    O veredito

    Seja você um fã dos filmes, do desenho animado ou, como eu está se envolvendo nesse universo agora, “Virando o Jogo dos Campeões” é uma série divertida e deliciosa de assistir. Lembrando, é claro, que é uma série infantil e, por isso, não deve trazer grantes plot twists e revelações. Teremos hockey, muito hockey pelo que é possível ver do primeiro episódio, mas não esperem grandes atuações no gelo. 

    “Virando o Jogo dos Campeões” é pelo Disney+ e tem novos episódios às sextas-feiras. A série conta com 10 episódios de cerca de 40 minutos cada. O “sextou” do NHeLas será mais interessante pelos próximos dois meses.

    Foto: Reprodução/Disney+

  • Um romance no LA Kings, Always Only You de Chloe Liese

    Um romance no LA Kings, Always Only You de Chloe Liese

    Uma vez me perguntaram como eu seleciono minhas leituras. Confesso que não soube responder de primeira. Pensando um pouco, notei que depende do meu humor, do último livro que li, do que está acontecendo ao meu redor. Eu vi a capa de “Always Only You” em uma postagem no Instagram de uma booktuber estrangeira. Salvei para lembrar em um dia que quisesse ler. A única informação que eu tinha é que o protagonista masculino jogava hockey, porque ele estava de uniforme e com um stick na capa. 

    O que esperar?

    Terminei uma leitura e falei, “acho que quero ler um com hockey já que tem um tempo desde o último.” Chloe Liese entregou não só um jogador do Los Angeles Kings, mas um time e uma organização inteira. Frankie Zeferino, a protagonista feminina, é a coordenadora de mídias sociais dos Kings. Então temos acesso a cenas no vestiário, no banco da arena durante partidas, na academia do LA Kings, em voos para jogos fora de casa e em salas de conferência. Tem hockey para todos os lados, pelo menos até a metade da leitura. 

    Hockey é o plano de fundo, e é também parte importante da vida dos personagens. Mas o romance vai além. Todo capítulo tem uma sugestão de música ligada aos acontecimentos e sentimentos, e eu simplesmente adoro quando a autora tem playlist disponível no spotify! No entanto, Chloe constrói personagens complexos e que lidam com problemas e questões pessoais próprias e até um pouco fora do “clichê” do gênero. 

    Ren Bergman, nosso jogador e interesse amoroso de Frankie, faz parte de uma grande família de imigrantes suecos, e não se encaixa exatamente no estereótipo de atleta profissional pegador. Muito pelo contrário, nunca é visto saindo com ninguém, é conhecido por gostar de Shakespeare — ainda mais do que prevíamos, é gentil, carinhoso, e normalmente não se sente muito confortável em ser o centro das atenções. Já Frankie vem de uma família de imigrantes italianos, faz parte do espectro autista e foi diagnosticada com artrite reumatóide aos dezessete anos de idade. 

    Se tem uma coisa que eu gosto, é ler sobre personagens que vivem uma vida diferente da minha, que enfrentam outros desafios e que me ajudam a mudar minha visão de mundo, mesmo que através de pequenos detalhes da narrativa. O romance de Ren e Frankie é leve, honesto, prático e sem drama e confusão, mas cheio de sentimento e cumplicidade. É certamente uma leitura que vale a pena. 

    Onde encontrar?

    O livro é o segundo da série Bergman Brothers (e no primeiro a protagonista feminina é jogadora profissional de futebol), mas todas as histórias são independentes. Ambos estão disponíveis no Kindle Unlimited

    E não vamos esquecer, “Always Only You” é um:
    3,5 no hockey-nômetro* e 4 estrelas no meu skoob


    *O “hockey-nômetro” é o indicador NHeLas da quantidade de hockey numa determinada obra.
    A escala vai de 0 (“o que é hockey?”) a 5 (“não sei se foi um filme ou uma partida da NHL”).

  • Qual Mighty Duck original é você?

    Qual Mighty Duck original é você?

    Aproveitando a estreia da nova série sobre os Mighty Ducks, que tal você descobrir quem dos Ducks originais tem a personalidade parecida com a sua?

    Sucesso nos anos 90, a trilogia de Mighty Ducks (Nós Somos Os Campeões) está disponível no Disney+. Descubra sua personalidade e assista a esses filmes que ajudaram crianças do mundo todo a conhecer o hockey.

     

  • Zero Chill: nova série da Netflix trás muito hockey e patinação artística para fãs de esportes no gelo

    Zero Chill: nova série da Netflix trás muito hockey e patinação artística para fãs de esportes no gelo

    Antes de entrarmos na resenha da nova série da Netflix, Zero Chill (“Polos Opostos” no Brasil), preciso contar um segredo sobre a equipe NHeLas: a gente adora uma série adolescente. Nem sempre a série é boa. Às vezes é aquele tipo de série que você sabe que é ruim. Porém, continua assistindo do mesmo jeito porque de alguma forma aquilo te prende. Diverte, emociona, faz rir. Quando ficamos sabendo que a Netflix lançaria uma nova produção com hockey, é claro que corremos para assistir e trazer o veredito para vocês. 

    “Mac” MacBentley (Dakota Taylor) recebe uma bolsa para jogar na Hammarstöm Academy, uma academia de hockey no Reino Unido. Assim, toda a sua família se muda para a Inglaterra em busca da promessa de Anton “The Hammer” Hammarstöm (Oscar Skagerberg) de transformar Mac em um jogador profissional. O ex-jogador da NHL contrata Luke (Doug Rao), pai de Mac, para atuar como seu técnico assistente — Luke e Anton haviam jogado juntos no início da sua carreira. Porém, quem não gosta nada dessa mudança é Kayla (Grace Beedie). Isso porque, com a mudança, a irmã gêmea de Mac precisou abandonar o seu parceiro de patinação artística, Jacob (Kenneth Tynan), no Canadá. 

    A série estreou nessa segunda (15) no catálogo da Netflix, com dez episódios de cerca de 30 minutos cada. Apesar de até agora não ter ficado claro por que escolheram a Inglaterra como local onde a série se passa, o sotaque britânico deixa tudo mais cativante. Tem como principal cenário a Arena Hammarström, onde além do rink que os atletas de hockey e patinação dividem também tem uma lanchonete. O espaço em que Sky Tyler (Jade Ma) trabalha reúne algumas das melhores cenas da série. Outro ponto interessante de ressaltar é a idade dos personagens. Eles são adolescentes, com cerca de 15 anos, e ainda estão no início de suas carreiras esportivas. Dessa forma, toda a narrativa gira em torno da dúvida desses jovens atletas em seguir carreira profissional ou se aquela paixão é apenas um hobby. 

    Pontos fortes

    • Seja o hockey ou as apresentações da patinação, o ponto mais alto da série sem dúvida se passa dentro do rink. Muitas cenas dos dois esportes, de forma equilibrada, deixam os fãs dos esportes satisfeitos ao assistir a produção em busca dessas cenas. (Vocês ouviram Spinning Out? Seguimos orfãs dessa série);
    • Mostra-se uma realidade dos bastidores dos esportes e como adolescentes precisam lidar com escolhas que mudam toda a sua carreira;
    • O ritimo da série é muito bom. Mescla momentos emocionantes, engraçados e tensos de forma leve e cativante que te deixa com vontade de assistir até o fim;
    • Tem romance, mas ele não é o ponto principal. As relações de Mac e Kayla, Ava Hammarström (Anastázie Chocolatá) e Anton, e Bear (Jeremias Amoore) e Sam (Leonardo Fontes) estão em primeiro plano. É uma série sobre família e a importância que um núcleo familiar tem na vida de atletas adolescentes, abordado em contextos diferentes em cada núcleo;
    • Apesar de ser uma pontinha bem pequena, temos em Ava todo o preconceito que o hockey feminino ainda enfrenta. A filha do técnico Anton é apaixonada pelo esporte, e tudo que sempre quis foi impressionar o pai no gelo. Porém, foi obrigada pela mãe, a técnica de patinação artística Elina Hammarström (Tanja Ribic), a praticar patinação, uma vez que o hockey é considerado muito violento. O arco da Ava nos faz refletir como, mesmo em uma família que respira esportes de gelo, a ambiguidade e o preconceito com a figura da mulher no hockey ainda é tão presente e que, mesmo ela provando o quanto era uma boa atleta no seu esporte favorito, continuou sendo questionada.  

    Entre altos e baixos

    Primeiramente precisamos ter em mente que a produção teve como publico alvo pré-adolescentes, sendo classificada no catálogo da Netflix como “Infantil”. No entanto, com séries como Julie and The Phantoms, também voltada para o mesmo público, em mente, podemos levantar algumas críticas. A construção dos protagonistas nos faz ter raiva das atitudes de Mac e Kayla em diversos momentos. Ambos são muito egoístas e fica claro que eles são assim pelas escolhas dos pais em sempre priorizarem a possível carreira de Mac no hockey deixando Kayla e seu sonho na patinação em segundo plano. Entretanto, questiono se esses momentos que nos fazem escolher o Team Mac e o Team Kayla não são partes da construção da dicotomia que existe entre o hockey e a patinação artística. 

    Esportes tão diferentes e ainda assim tão próximos pela necessidade de uma habilidade extraordinária em cima dos patins. Essa dualidade me lembra uma entrevista do jogador do Buffalo Sabres, Jeff Skinner. Para quem não sabe, Skinner começou sua carreira no gelo praticando não só hockey como também patinação artistica. Em uma entrevista em 2018, quando ainda jogava pelo Carolina Hurricanes, Skinner mostrou um pouco da sua habilidade artística sobre o gelo e contou como esse passado o ajuda a patinar melhor durante o jogo. 

    Ainda, é preciso ressaltar que os plot twists são fracos e previsíveis, mas em momento algum isso estraga a experiência da série, produzida com a promessa de entreter e divertir o espectador. No final há uma abertura para uma possível segunda temporada, porém, infelizmente, acho difícil a Netflix renovar a série para um novo ano. De qualquer forma, há um final para a história contada na primeira temporada. 

    Veredito 

    Zero Chill é uma série infantil para os fãs de hockey e de patinação artistica. Se você está procurando uma produção leve e curta para se divertir, sem dúvidas essa série é uma boa escolha. Entretanto, não dê play com expectativas de encontrar uma narrativa complexa e diferenciada. E, caso você esteja aqui pelas performances no gelo, tanto o hockey quanto a patinação não deixam a desejar. 

  • Nome de Seattle esbarra na literatura

    Nome de Seattle esbarra na literatura

    Nos últimos dias viralizaram no mundo do esporte boatos sobre possíveis nomes para a nova franquia da NHL em Seattle. Um dos nomes sugeridos seria Seattle Sockeyes. Entretanto, também haviam boatos de que o nome não seria aceito devido a direitos autorais. Isso acontece quando um nome já é utilizado por outra franquia ou produto midiático. Mas, o que ninguém esperava era a maneira que essa história seria desvendada: o nome de fato já é utilizado e patenteado por uma escritora.

    Jami Davenport publicou em 2014 o primeiro volume da série de livros denominada justamente de Seattle Sockeyes Hockey. Sports Romance, como é conhecido o gênero literário na América do Norte, são romances dos quais, o protagonista ou ambos os protagonistas, são esportistas. Sendo assim,   Jami é apenas uma das várias autoras que já construíram seu próprio time de hockey no universo literário, contribuindo cada vez mais para a propagação do esporte, mas sem estar de fato vinculado aos times reais, tanto da NHL quanto AHL e times Universitários. 

    Como leitoras vorazes e admiradoras do gênero Sports Romance, o NHeLas não poderia deixar a oportunidade passar. Por isso, vamos contar um pouco dessa confusão a respeito do nome da nova franquia em Seattle  e o quanto o crescimento do hockey como plano de fundo na literatura têm sido cada vez mais benéfico e importante para o esporte.

    Os rumores do nome para o Seattle

    Após a brilhante temporada de estréia dos Vegas Golden Knights, em 2017, surgiram rumores no mundo do hockey sobre a possível criação de mais uma franquia na NHL. Mas foi ao fim de 2018 que esses se concretizaram. O Conselho de Governadores da Liga finalmente aprovou a criação de uma 32ª equipe para integrar a National Hockey League. E a cidade escolhida para sua sede foi Seattle. Desde então, a franquia já criou um canal de comunicação próprio, com uma página no site da NHL, e definiu grande parte da equipe de funcionários do time, incluindo o General Manager e alguns pro scouts. 

    Porém, os fãs de hockey ainda sentem falta de um nome para o novo time, este que ainda não foi confirmado. No entanto, apesar de não existir uma confirmação, saíram nas últimas semanas algumas sugestões que poderiam estar sendo cotados para nomear a futura franquia da NHL. Atualmente, Seattle Kraken é um dos mais cogitados pela equipe de expansão. De acordo com fontes internas confiáveis da própria franquia, a equipe administrativa do time está cada vez mais inclinada a escolhê-lo. Mas ainda sim, Kraken não é a única opção que sugerida. 

    Desde a aprovação da criação do time, surgiram diversas sugestões de nomes. Entre elas estão: Seattle Tottems, Emeralds, Rainiers, Renegades, Sea Lions, e também Sockeyes. O último, no entanto, possui um plot curioso e que o Seattle talvez não esperasse: o nome já é utilizado e seus direitos autorais são da escritora Jami Davenport. O mais interessante é que o nome  cotado pela futura franquia é o mesmo nome dado ao time de hockey que a própria escritora criou para a sua série de livros, Seattle Sockeyes Hockey. Teria Davenport previsto a franquia de Seattle?

    Os Seattle Sockeyes de Jami Davenport 

    Foi em 2014 que Jami Davenport publicou o primeiro livro da série Seattle Sockeyes Hockey. Na época, ainda não se falava sobre uma expansão da NHL. Vegas ainda era uma possibilidade distante, quem dirá Seattle. Entretanto, a imaginação de uma escritora não tem limites e, apaixonada por esportes, Jami Davenport se permitiu imaginar como seria este time. Desde então, já são 13 livros publicados neste universo, contando spinn-offs e especiais.

    A série, num geral, explora o time de hockey de Seattle, desde sua criação até a temporada presente da equipe atuando na Liga Nacional de Hockey. Cada um dos livros aborda um jogador específico do universo da série; suas frustrações com a carreira, empecilhos, problemas pessoais e interesses amorosos. 

    Os três primeiros livros da série Seattle Sockeyes Hockey, escritos por Jami Davenport.
    Foto: Reprodução/goodreads.com

    Além disso, a autora explora bastante o mundo do hockey, os jogadores durante os jogos e os empecilhos diários para cultivar e manter uma boa carreira na NHL. Ela aborda também as jogadas, a maneira que as partidas se desenvolvem, fazendo com que o leitor sinta como se estivesse dentro da arena, assistindo a tudo de perto, sentindo as mesmas emoções que cada personagem sente. 

    O primeiro livro da série, Skating on Thin Ice, é o livro mais acessado da autora e que mais possui avaliações no Goodreads, rede social para leitores compartilharem suas leituras, descobrir novos autores e avaliar suas obras preferidas. Os  demais livros da série Seattle Sockeys também tiveram boas avaliações dos leitores nos aplicativos de leitura. O mais novo livro do spin-off da série, “Shutout: A Seattle Sockeyes Puck Brothers Novel”, segue o mesmo padrão. Lançado em 30 de janeiro, já possui 114 classificações de leitores no GoodReads (com média de 4,04 estrelas) e 68 avaliações sobre a leitura no mesmo aplicativo. 

    As avaliações dadas ao primeiro livro da série no Goodreads.
    Foto: Reprodução/goodreads.com

    Quando nomes para a futura franquia da NHL em Seattle começaram a ser cogitados, e entre eles se encontrava “Seattle Sockeyes”, Jami resolveu tomar algumas medidas para a proteção de sua obra. A autora optou por fazer o trademark do nome do time. O intuito era de preservar a nomenclatura criada por ela para a série de livros e também para que esta não fosse utilizada da maneira incorreta em outros locais, sem os devidos direitos autorais. 

    Desde que os rumores surgiram, a escritora tem recebido alguns comentários indesejáveis de alguns torcedores devido ao grande preconceito que ainda existe em relação a romances que abordam esportes. Por isso, se abstraiu de comentar sobre o assunto na maior parte do tempo. No entanto, apesar de Jami ter afirmado que “não será a pessoa quem impedirá (o NHL Seattle) de utilizar o Sockeyes”, a nova franquia ainda não se posicionou se gostaria de utilizar o nome devido a disputa dos direitos autorais. De qualquer forma, seguimos ansiosos esperando – o nome da equipe ser revelado e mais livros de Jami Davenport. 

    O hockey na literatura

    Jami Davenport não foi a única autora a utilizar o hockey na temática de seus livros. Diversas escritoras já mergulharam no universo do esporte e tiveram a oportunidade de trazê-lo direto para a literatura. A consequência disso tudo foi que as leituras não apenas conquistaram de vez o fã de hockey, mas também um público específico que consome livros com a temática esporte. Atraiu até mesmo aqueles que nunca leram sports romance, mas que acharam o universo do hockey na literatura intrigante e diferente, resolveram arriscar e acabaram por adotar o estilo como favorito. E não são apenas times fictícios na NHL que estas escritoras criam. Boa parte destes livros retratam o ambiente do hockey universitário, abordando preocupações e anseios dos atletas antes de entrarem no profissional. 

    Elle Kennedy é um exemplo. A escritora começou a incluir o hockey em sua escrita em 2009, mas foi em 2015, quando lançou O Acordo (The Deal no original), primeiro livro da série Off-Campus, que passou a ser reconhecida em larga escala. A primeira geração do time de hockey da Briar University atraiu tantos leitores e admiradores que foi o suficiente para Elle ter se tornado não só uma das maiores escritoras de sports romance atualmente, mas uma autora best-seller do New York Times, U.S.A. Today e Wall Street. O Acordo possui cerca de 118 mil classificações no GoodReads e 9.990 avaliações na mídia social para leitores. Além de ser o livro mais acessado e conhecido da escritora canadense, também possui o mesmo status entre livros com a temática sports romance

    O Acordo é o livro mais acessado de Elle Kennedy.
    Foto: Reprodução/goodreads.com

    Desde 2015, o sucesso gerado por Off-Campus proporcionou a Kennedy criar mais 3 livros para a série. Além disso, escreveu também um spin-off desta, Briar U, que foi tão bem recebida quanto a primeira. Os livros não só abordam personagens com problemas reais e que são tabu na sociedade. Eles também mostram um lado que muitos leitores nunca viram do hockey. O fato de Kennedy prezar pelo detalhe em sua escrita faz com que o leitor se sinta diretamente dentro do universo criado por ela. Eles sentem as frustrações do personagem dentro do rink, comemoram a cada gol, e se colocam em seu lugar dentro da partida (e fora dela) diversas vezes. É como se estivéssemos dentro de um jogo da Briar University, com os melhores assentos, proporcionados pela escritora. Aqui no Brasil, os livros de Elle Kennedy são publicados pela Editora Paralela.

    Toni Aleo é a criadora da série de livros Nashville Assassins, entre outras tantas.
    Fonte: Reprodução / instagram.com/tonialeo1

    Outra autora a aderir o gênero sports romance em sua escrita foi Toni Aleo. Torcedora fiel e apaixonada do Nashville Predators, a escritora born n’ raised no Tennessee decidiu em 2013 que precisava transcender seu amor pelo hockey para a escrita. E foi assim que a série Nashville Assassins nasceu – uma singela homenagem ao seu time do coração dentro da literatura. O primeiro livro fez tanto sucesso que a autora criou uma série com mais vinte e um, contando os especiais. Além disso, também criou um spin-off da primeira sobre uma nova geração do tão amado Assassins, time criado pela autora no universo. Existem também outras séries com a temática esporte criadas pela estadunidense, como Bellevue Bullies e Ice Cats. 

    Sarina Bowen também já nos presenteou com diversas obras com times de hockey que ganharam nosso coração. Ivy Years é a série mais famosa da autora, que já conta com 8 livros, contando os especiais. Seguidamente, a escritora também criou os Brooklyn Bruisers, que originaram 3 livros e mais um spin-off da série, com quatro. Juntamente de Elle Kennedy, a também estadunidense escreveu as séries Him e WAGs, ambas de grande sucesso entre os apaixonados por Sports Romance.

    Importância dos livros para o esporte

    Todas estas obras e autoras têm algo em comum: foram responsáveis,  de certa forma, na propagação do hockey, principalmente entre públicos que não eram familiarizados com o este anteriormente. Existem diversos leitores que apenas conheceram o universo do esporte devido a livros como estes. Pessoas estas que, inspiradas pela paixão que cada escritor possui pelo esporte e colocou dentro de cada livro, hoje possuem um time favorito e frequentam jogos. 

    Porém, muitos ainda não reconhecem o tamanho da importância que estes livros possuem. O preconceito ainda é grande. Não só com quem lê livros de sports romance, mas com quem escreve estes. Um julgamento muitas vezes desnecessário, que não reconhece o empenho das escritoras em desenvolver um universo que honre o esporte pelo qual sempre foram apaixonadas. 

    O hockey ainda é um esporte bastante elitista. No entanto, a intenção dos livros é trazer um ambiente mais democrático, onde todos que desejarem são bem vindos a conhecer o universo do esporte. E caso se sentirem à vontade o suficiente, são encorajados a criar o seu próprio universo sobre. Os livros são mais uma maneira de propagar ao mundo o esporte que todos admiramos e pelo qual somos apaixonados. Todavia, não importa o caminho que cada fã tomou para chegar até o hockey, o importante é a paixão por este. 

    Hockey e Literatura podem ser uma ótima combinação. Portanto, deixar o preconceito para trás pode tornar mais fácil o reconhecimento deste fato.

    Imagem: Reprodução/ jamidavenport.com/ @NHLSeattle

  • A influência da Disney na criação do Anaheim Ducks

    A influência da Disney na criação do Anaheim Ducks

    Foi no início da década de 1990 que o hockey teve seu “boom” nos Estados Unidos. Figuras como Wayne Gretzky e a expansão da NHL, com times como Tampa Bay, foram grandes influenciadoras no acontecimento. Assim, o esporte começou a ter mais legitimidade, após anos sob estado “cult” entre os norte-americanos. O Anaheim Ducks teve seu início exatamente neste contexto. 

    Dois fatores foram suficientes para um acontecimento grandioso: um empresário da Disney e seu amor pelo hockey. Consequentemente, o mais novo time da Califórnia acabou por sair das telas da televisão e foi parar diretamente nos rinques da NHL. Desta forma, os Ducks fizeram, na temporada 1993/94, seu debut na maior Liga de hockey do mundo. E, assim, automaticamente, fizeram história e o nome da franquia no esporte. 

    A história dos Ducks foi uma transição de negócios que combinou a indústria cinematográfica, marketing de marca e um esporte profissional em crescimento na América. Tal qual, tinha tudo para dar errado, mas acabou sendo uma das maiores e melhores jogadas da Liga.

    A criação dos Mighty Ducks da Disney

    Michael Eisner, diretor executivo da Disney na época, era apaixonado por hockey. Desta forma, cresceu acompanhando os Rangers durante a sua infância em Nova Iorque. Mas Eisner não era só um simples cidadão americano que amava o esporte. Ele também tinha um dos maiores cargos em uma das maiores companhias de entretenimento do mundo.

    A época de expansão da NHL, por conseguinte, foi também a década de ouro da Disney. A companhia construiu parques como a Disneyland Paris e Disney’s Hollywood Studios. Além disso, adquiriram companhias de televisão como ABC, ESPN e Miramar. Também produziram mais filmes do que jamais haviam antes. Um deles foi o maior filme de hockey elaborado atualmente para crianças: The Mighty Ducks. Em uma entrevista à revista Times, Eisner contou que a franquia já havia produzido filmes com temática de vários tipos de esporte. Por isso, um filme sobre hockey, no início do crescimento do esporte nos EUA parecia uma ótima ideia a sair do papel. 

    Original cast do filme The Mighty Ducks. Foto: Reprodução/cosmopolitan.com

    E foi. O filme arrecadou cerca de 50 milhões de dólares nas bilheterias do mundo todo, apesar de não ter sido tão bem aclamado pela crítica. 

    O filme se tornou popular entre crianças do mundo todo que eram fãs de hockey. Assim, uma nova franquia da Disney nascia, gerando mais dois filmes: D2 e D3 – Mighty Ducks. Futuramente, devido ao sucesso, foi criada também uma séria de animação. Esta também se chamava Mighty Ducks e foi transmitida pela ABC, em 1997, contando com 26 episódios e uma temporada. Contudo, além de todo o sucesso cinematográfico, a Disney tinha planos muito maiores para a franquia de filmes. 

    O Anaheim Ducks da NHL

    Os Mighty Ducks não foram criados com a intenção de, futuramente, desenvolver um time real de hockey. Porém, o sucesso de bilheteria do filme foi um fator essencial para que a Disney acreditasse que um time na NHL seria muito lucrativo. Tanto para a Liga, quanto para a companhia. Portanto, o filme acabou sendo também uma pesquisa de mercado, que testou todas essas alternativas.

    A equipe Mighty Ducks na NHL apresentava uma série de promoções para o time e a companhia. Além da publicidade, a cidade de Anaheim, cotada desde o início para ser casa do time, e a NHL tinham muito o que ganhar neste acordo. O estímulo para criar a equipe foi a sinergia de marketing que a maioria das marcas deseja, na qual ambos parceiros ganham, tanto exposição quanto receita, enquanto a marca Mighty Ducks fosse sucedida. 

    Para a NHL, os benefícios eram óbvios. Trazer o gigante do entretenimento mundial para a Liga, com uma base de fãs sólida, seria uma jogada e tanto. A Liga ainda tentava se estabelecer no quesito fan base no continente americano e no mundo. Assim, tendo o marketing da Disney ao seu favor faria com que as coisas acelerassem muito mais. Por outro lado, a esperança da Disney com a construção do time em Anaheim era tornar esta um destino turístico. Com a Disneylândia localizada na cidade, e a expansão da Disney, a companhia só tinha a ganhar com o investimento. 

    Então, no ano de 1993, os Mighty Ducks of Anaheim foram criados. No momento da criação, a equipe foi sediada na Anaheim Arena – que foi apelidada de “The Pond” (“a lagoa”), devido ao nome do time. A arena foi fundada em julho de 1993, e ficava a uma pequena distância da Disneylândia.

    A estréia dos Ducks na Liga

    O time fez seu debut na NHL em outubro de 1993, mesmo ano de sua criação. A Disney proporcionou aos telespectadores um show de abertura de 15 minutos. Esta contou com performances de músicas hit da franquia e a junção dos filmes mais clássicos da companhia na época. Posteriormente, o primeiro jogo da equipe foi disputado contra os Red Wings. Infelizmente, os Ducks acabaram perdendo para a equipe de Detroit. Porém, a vitória do time de Anaheim veio dois jogos depois, contra os Oilers. Assim, em casa, os Ducks venceram o time do Canadá por 4 a 3. 

    Cerimônia de abertura dos Mighty Ducks de Anaheim na NHL.

    Apesar de não terem ganhado uma Stanley Cup em seu primeiro ano na Liga, os Ducks tiveram bom rendimento durante a temporada 1993/94. Primordialmente com 71 pontos, a equipe teve um total de 33 vitórias, sendo 19 delas fora de casa. Foi um recorde surpreendente para um time de apenas um ano na NHL. Além disso, a média de público na casa do time na primeiro temporada na liga era de 16.989 espectadores (98% da capacidade).

    Fora do rinque, porém, as coisas eram diferentes. As mercadorias dos Mighty Ducks superavam qualquer time na NHL. Assim, cerca de 80% das vendas de produtos da Liga eram proporcionadas pelos Ducks. 

    A parceria, no entanto, começou a se desgastar após alguns anos. Desta forma, em 2005, com a saída de Michael Eisner da companhia, a Disney acabou vendendo os Mighty Ducks Anaheim. Depois disso, tiveram o nome reformado: a partir do ano de 2005, o time passou a se chamar Anaheim Ducks. Assim como a Arena que, comprada pela Honda, se tornou Honda Center. Por consequência, em 2007 o time acabou conquistando sua primeira Stanley Cup na história. 

    O legado da Disney no esporte

    Apesar da parceria entre Disney e NHL não ter sido vitalícia, a companhia trouxe um enorme legado para a Liga. A Liga Nacional de Hockey não era tão conhecida antes da década de 1990. Portanto, o investimento de marketing da Disney, principalmente na equipe de Anaheim, trouxe um grande montante em vendas de produtos para a NHL. Assim como trouxe muitos fãs leais, que foram afetados pelo filme e são apaixonados pelo esporte até os dias de hoje.

    O investimento da Disney acabou tornando a NHL mais famosa. Com o passar dos anos, um país que antes era dominado por futebol americano e basquete, acabou sendo conquistado também pelo hockey. As equipes profissionais, posteriormente, também passaram a investir em feitos que influenciassem o processo. Seja em mídia, centros de esportes para incentivar crianças a praticar, ou em produtos.

    Desde então, a NHL vem aos poucos tentando conquistar de vez os norte-americanos. Não só estes, mas também públicos internacionais. A Liga vem tentando provar que o esporte é tão digno de audiência e paixão quanto o futebol. Este último tem a maior audiência mundial.

    Basta agora torcer para que o mundo separe um lugar em seu coração para o hockey, assim como tem um lugar para outros esportes, e para a própria Disney. E que o esporte tenha o reconhecimento que merece.

    Foto: Reprodução/CBSsports.com