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John Scott, o capitão improvável do All-Star Game

10 for 10

John Scott, o capitão improvável do All-Star Game

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A NHL é conhecida pelo jogo físico, as famosas brigas do hockey e jogadores que fizeram carreiras conquistando estatísticas nesse confrontos. Um destes jogadores foi John Scott. O ex-jogador é um dos enforcers mais famosos que teve uma carreira reduzida na NHL. Isso porque Scott teve apenas 286 aparições na Liga, dos quais somou cerca de 500 minutos de penalidade. Por outro lado, marcou apenas 11 pontos em sua carreira. Contudo, mesmo com números baixos, ele conseguiu a façanha de ser capitão de um time no All Star Game. 

Neste capítulo do 10 for 10 contamos a história do jogador que, apesar de não ter brilhado em sua trajetória no esporte, brilhou no All-Star Game de 2016 após ser o campeão de votação para capitão do Time da Divisão Pacífica. 

A carreira de John Scott

John Scott nasceu em Edmonton, Alberta, porém cresceu em Ontário, como torcedor do Boston Bruins. Quando criança, ele almejava ser igual o defensor dos Bruins, Ray Bourque.

Bourque foi um lendário defensor de hockey, cinco vezes vencedor do Norris Trophy e com o maior recorde de gols, assistências e pontos por um defensor.

Contudo, sendo um jogador não-drafrado, Scott começou a jogar hockey pela universidade Michigan Tech. Como um defensor enforcer, Scott marcou 19 pontos com 347 minutos de penalidade em seu tempo com os Huskies.

Basicamente, a marca dos enforcers na NHL é a de brigar e agitar os jogos como forma de intimidar o time adversário. Considerada uma “classe” antes muito necessária no hockey, atualmente, existem poucos jogadores assim na liga, já que habilidade e dinâmica vem crescendo como características mais atraentes para os espectadores. 

O primeiro time de John Scott na NHL foi o Minnesota Wild. Ele jogava pelo Houston Aeros, time da AHL afiliado do Wild, quando foi chamado para a equipe princiapal. Na temporada de 2006-07, Scott assinou seu primeiro contrato entry level e sua primeira partida foi contra o Detroit Red Wings. 

Após dois anos com o Wild, ele foi para o Chicago Blackhawks, após se tornar free agent. Em sua carreira, Scott passou por outros cinco times: New York Rangers, San Jose Sharks, Buffalo Sabres, Arizona Coyotes e Montreal Canadiens.

Como característica dos enforcers, Scott já foi suspenso alguns jogos na NHL. Em outubro de 2013, quando jogava pelo Sabres, Scott foi suspenso sete jogos por um contato ilegal na cabeça de Loui Eriksson. Hits na cabeça se tornaram ilegais na NHL desde 2011.

Outra briga famosa do jogador aconteceu em 2014. Isso porque, em seu tempo com o San José Sharks, Scott saiu do banco imediatamente para brigar com Jackman, do Anaheim Ducks. Por esse motivo ele foi suspenso por quatro jogos. 

O All Star Game de 2016

Na temporada 2015-16, em 2 de janeiro de 2016, Scott foi anunciado como o vencedor da votação dos fãs do NHL All-Star Game, que aconteceria em Nashvillle. Ele foi votado capitão da Divisão do Pacífica da Conferência Oeste, numa campanha histórica, visto que normalmente os melhores jogadores são selecionados pelo público para representar seus times.

Scott foi quem teve o maior número de votos, apesar de ter registrado apenas 1 ponto em 11 jogos disputados com os Coyotes, uma vez que Scott passou grande parte da temporada como um healthy scratch. Muitos compararam essa situação com a de Rory Fitzpatrick em 2007, uma vez que os fãs votaram em um jogador que não seria convencionalmente escolhido como um All-Star.

Entretanto, essa não foi uma tarefa fácil. Após os jogos, jornalista confirmaram que a NHL tentou sabotar a campanha de capitão do All-Star Game de John Scott.

A liga, junto ao Arizona Coyotes, pediram que Scott não fosse participar dos jogos de exibição. O próprio afirmou que não merecia jogar no evento e pediu para que os torcedores votassem em outros jogadores. Por fim, quando ele foi finalmente declarado campeão, Scott decidiu jogar.

Contudo, em 15 de janeiro de 2016, Scott foi negociado para o Montreal Canadiens junto com outros três jogadores. Logo após essa negociação, o Canadiens imediatamente enviaram-no para seu então afiliado da AHL, o St. John’s IceCaps. 

O então gerente geral do Arizona, Don Maloney, insistiu que a troca foi apenas um movimento empresarial e não uma tentativa de manter Scott fora do jogo All-Star. Surgiram especulações de que Scott seria potencialmente considerado inelegível para fazer parte da equipe All-Star por causa de sua mudança para uma lista da AHL e para uma equipe da NHL na divisão do Atlântico. 

Entretanto, apesar das alegações, no dia 19 de janeiro Scott foi oficialmente declarado pela NHL como o capitão da Divisão do Pacífico no All-Star Game de 2016. 

A campanha no All-Star Game

Sua passagem o All-Star Game foi memorável. Scott marcou dois gols na semifinal do torneio, levando sua equipe para a final. Posteriormente, o jogador contribuiu para que a  Divisão Pacífica saísse vitoriosa no evento.

Ele então foi nomeado All-Star Game MVP, apesar de não ter sido incluído na votação. Assim, quando ele foi excluído, fãs, jogadores como Henrik Lundqvist e contas oficiais de outros times da Liga, como a do Ottawa Senators, Philadelphia Flyers, Vancouver Canucks e Edmonton Oilers fizeram uma hashtag “#VoteMVPScott” para que Scott fosse de fato incluído na campanha de MVP.

Diante desse massivo apoio, a NHL concedeu o título a Scott. Por fim, o capacete de Scott no jogo All-Star foi enviado para o Hockey Hall of Fame, em Toronto.

Consequências

Voltando para o time afiliado do Canadiens, St. John’s IceCaps, ele foi convocado para jogar pelo Habs no dia 3 de abril de 2016. Esta foi sua primeira vez na NHL desde 31 de dezembro de 2015. Em 7 de dezembro de 2016, Scott anunciou sua aposentadoria do hockey em um artigo no The Players’ Tribune.

A fim de evitar campanhas parecidas, a NHL criou uma nova regra: atualmente, jogadores machucados ou que transferidos para a AHL não poderão ser nomeados capitães do All Star Game. Isso porque a brincadeira de nomear um jogador não tão famoso surgiu da premissa dos fãs de mostrarem como os jogos de exibição não são levados à sério. Contudo, ao possibilitar um jogador menos promissor ou com uma carreira curta como a de Scott ter seu momento de estrela, mostra como o hockey tem um poder de união, já que ele foi ovacionado pelos seus colegas de gelo. Dessa maneira, também podemos ver como pequenas peças são fundamentais e podem ocasionar momentos únicos na história da NHL. 

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